FICÇÃO CIENTÍFICA

 

Frankenstein

A ficção científica nasceu em 1818: naquele ano apareceu o romance Frankenstein, escrito por Mary Shelley, esposa do famoso poeta inglês Percy Byshe Shelley. O romance era completamente diferente de quaisquer outros escritos até então: os eventos narrados tinham como ponto de partida uma descoberta cientifica de todo fantástica.
Foi assim que teve início a história da ficção científica. Outros escritores seguiram mais tarde o exemplo de Mary Shelley, que, em 1826, escreveu outro romance de ficção científica: O Último Homem.


Cem mil leguas submarinas

Vinte Mil Léguas Submarinas
Verne, Júlio
Hemus

Júlio Verne nasceu em Nantes, na França, em 1828. Seu interesse em ciências, pesquisas e viagens marítimas, o levou a criar uma vasta literatura de ficção científica. De fato, muitas das criações de suas fantasias ele descreveu em livros que falavam de viagens e aventuras, nos quais ele anteviu progressos de invenções mecânicas e científicas do futuro. Verne foi precursor na categoria literária de viagens imaginárias. Em Vinte Mil Léguas Submarinas, três homens são levados a uma viagem inacreditável, a bordo do submarino Nautilus, ao redor do mundo, dirigidos pelo Capitão Nemo. No século 19, Verne já falava sobre foguetes ao redor da Lua, televisão, bombas atômicas, fotografia, automóveis e viagem ao centro da Terra.

Referências:
http://pt.wikipedia.org















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Uma Antologia da Ficção Científica, desde os primórdios da Literatura Fantástica até os dias atuais.

Texto retirado do site
http://orbita.starmedia.com/~necrose/Sci-Fi/Histfic.html
Para fins exclusivamente didáticos.
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equipe Portal Darte.

Voltando ao passado através da evolução da História da Literatura, poderemos notar que desde épocas remotas, muitas narrativas onde o enfoque fantasioso predomina, quer sob a forma de feitos sobre-humanos de coragem física, quer de raciocínios especulativos de cérebros privilegiados, quer, ainda, de acontecimentos insólitos.

Tal atração pode ser observada mesmo na infância, onde os contos de fadas e epopéias heróicas fazem parte do desenvolvimento de uma criança sadia. O fascínio pela mudança e pelo conhecimento é inato ao ser humano, que traz dentro de si um desejo, mais ou menos recalcado, de fugir à vida monótona de todos os dias. Ele aspira realizar, nem que seja só graças à imaginação, façanhas extraordinárias em que maravilhas se sucedam num ritmo tanto quanto possível alucinante.

Observando-se os mais variados níveis de civilização, pode-se perceber que a procura pelo fantástico é moldada em virtude de cada realidade, seguindo o condicionamento imperante, sofrendo por conta disso uma evolução bem demarcada. Em pleno paganismo, a ousadia levou os homens a imiscuírem os deuses em seus problemas, fazendo-os coniventes de suas ilusões. Juno (Hera), Mercúrio (Hermes), Marte (Ares), Vênus (Afrodite) e até o próprio Júpiter (Zeus) abandonaram o Olimpo e vieram bater-se em pé de igualdade com os seres mortais.

Embora como mero caráter acidental, podemos encontrar na grande maioria dos textos clássicos exemplos dos mais variados tipos de contos e lendas fantásticas sobre coisas completamente plausíveis no âmbito da imaginação. Recordando somente alguns dos episódios mais representativos, podemos apontar nos poemas homéricos uma prodigiosa libertação do mundo real, a existência do Monstro Briareu que tinha cem braços e a da Feiticeira Circe, capaz de transformar homens em Porcos. Temos Siegfried que se dispõe de um manto mágico que o torna invisível quando lhe apraz. As tragédias da antiguidade clássica, tal como, posteriormente, no teatro Shakespeareano, aparecem recheadas de espectros e fantasmas. Fragmentos do Satiricon mostram que Petrônio já conhecia o mito do lobisomem. Os deuses de Valhalla, da Mitologia Nórdica, eram perseguidos pelo temor do ataque dos Trolls, que seria o dia do Juízo Final para os filhos de Odin. Pégasos, da Mitologia Grega, dispunha de asas que o permitiam voar, assim como Dédalo e seu filho Ícaro, que as tinham presas em seus corpos para voar da Ilha de Creta. Também temos o célebre cavalo de Ébano de O Livro das Mil e uma Noites, que voava graças a um mecanismo manobrado por alavancas complicadas. Temos Dante Alighieri, que parlamenta com vivos e mortos na sua Divina Comédia em sua jornada pelo Inferno, Purgatório e Paraíso com seu guia Dionísio em busca de sua amada Beatriz. Por seu turno, Ariosto, em Orlando Furioso, descreve a viagem de um amigo à Lua a fim de devolver, dentro de uma ampola, o juízo perdido, pois é a Lua o destino de todas as coisas perdidas. Temos ainda o poeta-espadachin Cirano de Bergerac que encarna o "homem da Lua" que cai sobre as vielas escuras de uma Paris adormecida. O livro póstumo do famoso astrônomo alemão Johann Kepler, Somnium, especula sobre uma possível viagem à Lua em um aparelho impulsionado por demônios. Do mesmo modo, Nova Atlântida de Francis Bacon, com suas câmaras de ressonância, submarinos e aviões, constitui, sem dúvida, outra das numerosas manifestações embrionárias de ramos literários que o tempo acabaria por nos levar à Ficção Científica.

É claro que não podemos delimitar o exato aparecimento de um ramo literário, mas podemos traçar um ponto que marque a sistematização de um tipo específico de literatura. Assim pode-se afirmar que o Policial começou com Edgar Alan Poe e a Ficção Científica com Julio Verne. Mesmo sabendo, por exemplo, que o primeiro enredo policial conhecido foi a fábula de Esopo O Leão Velho e a Raposa, e a primeira narrativa de Ficção Científica num texto, eminentemente jocoso, foi a História Verídica de Luciano de Samotrácia.

A Ficção Científica é resultado de um grande sincretismo de ramos literários. Uma delas é a Epopéia, que em muitas vezes exalta os efeitos heróicos em virtude do vigor físico, superando e desprezando as virtudes espirituais, tal como viria a suceder mais tarde, em maior ou menor escala, nos romances medievais de cavalaria. Mas estas proezas, criaram nos espíritos cultos a necessidade de uma espécie de "atordoamento" que não pudesse ser contrariado pelas simples observação da realidade. No ambiente muito favorável de fins do século XVIII até princípios do XIX, as supertições e as magias adquiriram um caráter intelectual e granjearam rapidamente adeptos de um horror cativante, propiciados por Horace Walpole e M. G. Lewis, na Grã-Bretanha, C. Boemi e Hoffmann, na Alemanha e por Jacques Cazotte e Bauldelaire, na França.

Eis criada a Literatura Fantástica, ou Sobrenatural, com as suas casas assombradas, os seus vampiros e as pavorosas noites de breu riscadas por relâmpagos deslumbrantes. Em pleno apogeu da Literatura Fantástica, Edgar Allan Poe apresentou O Duplo Crime da Rua Morge (1841), novela com a qual se iniciou a autonomia de outro ramo da Literatura de Emoção: Literatura Policial. Foi uma obra de grande importância para a popularização de um gênero cujos autores desafiavam temerariamente a inteligência de quem os lia, expondo com tato e sempre com lealdade as premissas de um silogismo onde a conclusão podia ser alcançada pelo leitor antes do respectivo detetive, desvendando o enigma proposto. Mas pouco mais de meio século depois, esta grande fase foi trocada, forçando os autores a ampliar o âmbito da Literatura Policial.

Tornou-se necessário escolher outro caminho. Após se imaginar combatendo sem glória nem proveito contra as Forças Ocultas e dominando, quer física quer intelectualmente, os elementos vivos que o circundam, o homem deixou-se imbuir por uma ambição ainda maior. Agora já não lhe basta especular sobre a vida natural, a vida conhecida, a vida em um planeta berço, pois o prazer que a imaginação do autor poderia extrair, seria rudemente perturbado pelo ceticismo realista de qualquer observador destituído de senso poético. Logo foi preciso um cenário que não estaria comprometido com qualquer padrão estabelecido, mesmo a ciência.
Assim sendo, temos a Ficção Científica, que possui um mister diferente dos outros ramos literários: a Ciência, que vive desatualizando-a. O Real e o Possível entrechocam-se numa luta sem tréguas, pois os próprios jornais diários fazem pasmar o mundo com o relato de proezas tidas, até há pouco, como fixadas no domínio exclusivo da fantasia. Não é mesmo Dolly?

Apesar de relativamente nova, a Ficção Científica já possui ícones fundamentais na Literatura Mundial, tidos como obras de alta qualidade, reconhecida principalmente por grande parte dos intelectuais, poetas e novelistas não adeptos à esse estilo literário. Qual grande escritor teria coragem e base para criticar Aldous Huxley ou George Orwell ou Julio Verne ou ainda Ray Bradbury? Talvez algum que tenha lido apenas os "pocket books" das "As Aventuras de Perry Rhodan" ou assistido a série de TV "Perdidos no Espaço" e conjecturou que se tratasse apenas disso.

Num estudo sobre "Social Science Fiction", Isaac Asimov dividiu a história da Ficção Científica em três períodos:

O primeiro estende-se desde os mais remotos e problemáticos percursores até o ano da publicação da revista Amazing Stories em 1926. É uma era amorfa, sem fronteiras precisas, descontínua, iluminada aqui e ali por esforços esporádicos e raramente conscientes.

O segundo, de 1926 a 1938, floresce a era "Gernsback". Proliferam as revistas de aventuras siderais e os "Comic Strips", umas e outras inteiramente dedicadas à manutenção do herói exagerado, viril e americano e à glória de raça humana(branca, como está bem de ver).

O terceiro, de 1938 até os dias atuais, assinala-se a consciencialização do gênero e o progressivo melhoramento de sua qualidade literária.

Voltamos a dizer que, se pesquisando os clássicos, encontramos obras de Kepler, Bacon, Thomas More e outros grandes nomes que, com freqüência, são tabelados como precursores e profetas. Sem negar valor a semelhantes tentativas, o certo é que, por carência de intenção ou por diversidade de intuição, não se lhes pode atribuir o caráter de esforço intencional, capaz de servir de pedra angular a um novo gênero literário.

Por outro lado, em Julio Verne e H. G. Wells, nota-se já uma séria preocupação de lançar bases e definir fronteiras. Profundamente diferentes em métodos e fins, os dois escritores aperceberam-se nitidamente das possibilidades da "Antecipação". E, no entanto, Julio Verne mantém-se como um autor de romances de aventuras ("Viagem ao Centro da Terra"), e Wells, um escritor de preocupações sociais bem vincadas ("A Máquina do Tempo"). Julio Verne foi de grande influência na primeira geração de escritores. Já Wells, foi inspiração de John W. Campbell e seus pares a partir de 1938.

A moderna Ficção Científica não se automiza antes de 1926, ano em que Hugo Gernsback publicou o primeiro número de Amazing Stories. O sucesso foi tão grandioso, que apesar de todas as dificuldades, a publicação permanece até hoje, possuindo também uma série de televisão homônima.

Vivia-se uma época de assombroso avanço da técnica (impulsionado pela disputa entre as nações industriais e as Grandes Guerras) e do avanço científico e tecnológico, que suplantavam em muito a maioria de fantasias imagináveis nos séculos anteriores. Tais avanços serviram de base inspiradora para uma geração de escritores, muitos com bases científicas.

Isso acarretou modificações no público leitor, pois para alguns escritores, a Ficção Científica era a simples novelização de um fato ainda irrealizável, mas que a marcha ascensional da técnica deixava profetizar, com grande dose de certeza, para um futuro mais ou menos próximo. Alguns eram vítimas de cartas ferozes de leitores, que lapidavam o autor que cometesse o menor deslize técnico ou se baseasse nas fantasias mais duvidosas. Foi uma batalha dura no início, pois tamanha "camisa de força" atrofiava a imaginação dos autores.

Outras revistas apareceram e, com elas, sem deixar de constituir um gênero de características puramente populares, a Ficção Científica tomou novo rumo. Surgia assim a "Space Opera" ao mesmo nível do "western" barato e da história de "gangsters" ou de piratas, com o seu infindável cortejo de episódios truculentos em que o protagonista acabava por salvar o dia, mesmo que tivesse sido obrigado a empalar algum vilão ou a seduzir alguma mocinha com lindas madeixas loiras. Nunca a Ficção Científica chegou tão baixo; rastejava em quadrinhos mal desenhados, nos "comics strips" com que alguns jornais diários obsequiavam o leitor menos exigente nos seus suplementos dos domingos; enchia as colunas compactas dos "pulps", magazines de péssimo papel e impressão ordinária e vegetava nos "pocket books" de baixa edição.

Proliferaram os aventureiros do espaço que não tinham pouso certo e passavam a vida a combater os "tiranossauros de Fobos" ou os "homens-toupeira do Planeta Zong"; multiplicaram-se as belas Rainhas Brancas de visual "sadomazô". Tudo isto sem se preocupar se todas as formas de vida da galáxia estavam sendo exterminadas por "Raios Zeta". O herói, impecavelmente barbeado, hercúleo, loiro, americano, derrotava, invariavelmente, com um só dedo, as legiões de homúnculos e pigmeus amarelos verrugentos e encarnados que se lhe atravessavam no caminho.

Com tais ingredientes, a Ficção Científica era considerada, a justo título, alimento exclusivo de atrasados mentais e de adolescentes de fraca inteligência.

John W. Campbell compreendeu a situação e, em 1938, quando se tornou editor de revista Astounding Stories, decidiu reabilitar o gênero (antes devemos dar crédito à Stanley G. Weinbaum, que em A Martian Odissey mostrava seres de outros planetas -Marte-, não como criaturas malévolas, mas como diferentes do ponto de vista humano)

A obra tivera grandeêxito. E com essa frágil crença, John W Campbell abriu as portas da sua revista aos autores que entendessem a Ficção Científica como digno e excelente campo de proliferação das melhores virtudes literárias (entre eles, um então jovem e amedrontado rapaz imigrante judeu de origem russa, ninguém menos que Isaac Asimov). Inicia-se então, a chamada "ERA DE OURO" da SCIENCE FICTION.

"Não se pretende que ela analise profundamente os grandes problemas da sociedade: basta que assuma maior racionalidade e se preocupe mais com o Homem e o Mundo". Este manifesto serviu de tábua da lei a muitos excelentes escritores que, encontrando o ambiente propício, surgiram em grande número e vivificaram a "Antecipação". Esta enorme reavaliação de um gênero cujas possibilidades se não achavam ainda esgotadas, não determinou, como é bem de ver, a morte automática das correntes anteriores. Ao lado das revistas que surgiram nesta época (Galaxy, The Magazine of Fantasy and Science Fiction, Fantastic,etc.) e das, que já existindo, se associaram ao movimento desencadeado por Campbell (Amazing Stories de Hugo Gernsback e a sua própria Astounding), continuaram a aparecer, durante muito tempo, revistas dedicadas à publicação exclusiva ou de "Space Operas" (Startling, Thrilling Wonder, Planet Stories, etc.)

Houve monstros sagrados que não desdenharam abordar a Ficção Científica. Aldou Huxley ("Admirável Mundo Novo"), George Orwell ("1984") e Karel Capek com o seu exemplo, contribuíram para a dignificação do gênero e provocaram salutar emulação por parte da plêiade de autores jovens que então surgiu. Inicia-se a grande era da "Social Science Fiction" em que proliferaram escritores excelentes como Ray Bradbury , sempre preocupado como o homem e seu meio (como por exemplo: "As Crônicas Marcianas"); Robert A. Heilein, profílico historiador do futuro (como por exemplo:"Friday"); Clifford D. Simak, grande trágico do Mundo "Que Há-de Vir"(como por exemplo: "A Revolta das Máquinas"); Isaac Asimov, estrapolando a imaginação e a tecnologia ("Fim da Eternidade"); Arthur C. Clarke, cientista de créditos firmados, engenhoso e irônico ("Um Dia no Século XXI"); Fredric Brown, insaciável narrador das situações mais bizarras; Jack Finney, todo dado à analize psicológica ("Os Invasores de Corpos"); Frank Herbert, criador de cenários extremamente complexos e realistas ("Duna"), e outros como A. E. van Vogt ("As Casas de Armas"), Frederick Pohl ("A Nave Escrava"), Theodore Sturgeon ("Vênus Mais X"), Poul Anderson ("Viagem ao Infinito"), L. Ron. Hubbard ("Campo de Batalha: Terra"), Ursula K. LeGuin ("Viagem no Tempo"), Phillip K. Dick ("We can remember it for you wholesale", o conto que deu origem ao filme "Total Recall"), Edmund Cooper ("A Humanidade Artificial") e mais posteriormente temos: Robert Silverberg ("Labirinto"), Charles Sheffield ("Maré de Verão"), Michael Crichton ("Enigma de Andrômeda"), Orson Scott Card ("O Abismo"), William Gibson ("Neuromancer") e tantos outros dedicados ao estudo das consequências sociológicas, ideológicas, políticas, morais, religiosas, jurídicas, artísticas e literárias, que poderão emergir das mil e uma plausíveis mutações que a evolução da humanidade traz em seu seio.

A grande arma da Ficção Científica é a imaginação, pode-se inventar e adaptar qualquer realidade ou cenário, com lapsos de tempo e espaço ou com as teorias mais insólitas, cabendo ao leitor separar o que é "Especulação Científica" ou apenas "Chute Científico".

No grande fluxo de obras-primas que surgiram desde 1938, foram-se estruturando os temas fundamentais da Ficção Científica. A básica dualidade -deslocação no tempo X deslocação no espaço- foi uma semente para vários argumentos. As viangens interplanetárias trouxeram à Terra os habitantes dos outros Mundos -uns amigos e amistosos, outros possuídos dos mais horríveis propósitos- e levaram o homem até aos confins do Universo. Por seu turno, sucederam-se os vaivéns na História, da Gênese até o Apocalipse, e ao lado destes passeios apareceu o tema dos universos paralelos, com sua mais famosa expresão em variadas incursões na quarta dimensão.

A galeria de personagens engrandeceu-se com homens monstruosos e monstros quase humanos, com mutantes ferozes ou superinteligentes, com robots todo-poderosos e seres prodigiosos dotados das mais espantosas faculdades. Aqui e ali, o leitor antevia o Futuro, risonho às vezes, inquietante quase sempre, e sentia crescer-lhe a água na boca ao ler a descrição de terras utópicas de organização perfeita e eterna ventura, mesmo que pagando um preço alto por isso. (vide por exemplo, o conto: "Fora do Ritmo", disponível na NECROSE)

Coisas como a antigravidade e o poder mental passaram a ser moeda corrente na science fiction. A cibernética atingiu proporções escandalosas (por exemplo, temos o clássico: "Do Androids Dream of Eletric Sheep ?" de Philip K. Dick que deu origem ao Filme "Blade Runner" de Ridley Scott), obras de engenharia de escalas cósmicas eram normais ("Divergência" de Charles Sheffield e "3001" de Arthur C. Clarke), os mistérios da evolução foram submetidos a experiências nos laboratórios das grandes Indústrias ("Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley), viagens temporais não eram apenas teorias ( por exemplo "Viagem no Tempo" de Ursula K. LeGuin) e Planetas eram povoados com a vida em questão de décadas ("2061" de Arthur C. Clarke).

Por outro lado, incapaz de vencer o barro congênito, o Homem suportou, nessas narrativas, as mais incríveis dores e mais revoltantes humilhações (vide por exemplo "1984" de George Orwell). Foi escravo e tirano ("O Canto da Ave Maldita" do brasileiro Marcos Túlio Costa), perito e apóstolo ("Contato" de Carl Sagan), destruidor e benemérito ("Fundação" de Isaac Asimov). Venceu e foi derrotado ("Alien" de Alan Dean Foster), julgou ser o "Senhor do Mundo" e sucumbiu sob um grão de areia ("Duna" de Frank Herbert), pareceu aniquilado e esmagou seu opressor ("Guerra nas Estrelas" de George Lucas), ficou maravilhado e apavorado ao conhecer outros Mundos salpicando de vida ("Contatos Imediatos de Terceiro Grau" de Steven Spielberg). E neste caleidoscópio, o leitor, estupefato, viu-se conduzido numa malha infernal e interminável de deslumbramento.

Em 1945, com o ano I Era Atômica, a Ficção Científica sofreu o choque do Fato Científico e, porque o profetizara, ganhou novo prestígio e penetrou mais fundo em todas as camadas. Daí em diante e até hoje, não mais a Ficção Científica deixou de crescer. E se nem sempre a quantidade acompanha a qualidade, o certo é que, em todo o Mundo, a "Antecipação" assumiu grandes proporções e que se insinua nos escaninhos mais recônditos e toma de assalto bastiões tidos por inexpugnáveis.

Ano após ano, novas e importantes editoras se rendem ao seu fascínio; coleções exclusivas proliferaram e as antologias sucederam-se num ritmo acelerado. A science fiction -que sempre esteve à vontade no figurino menos rígido do conto e da noveleta- avassala as grandes revistas, especializadas ou não.

Dadas as suas possibilidades espetaculares, não é de estranhar que a Ficção Científica tivesse interessado os grandes produtores da rádio, da televisão e do cinema.

Em 1938, Orson Welles e o seu "Mercury Theatre" abalaram os Estados Unidos com um relato, palpitante, da invasão da Terra pelos marcianos criados por H.G. Wells em The War of the Worlds e adaptados à rádio por Howard Koch. A emissão provocou sérias arrelias à população de quatro estados americanos e, mais tarde, com o texto vertido para o espanhol, veio a ter proporções de cataclismo quando da sua transmissão por uma emissora sul-americana.

O cinema se interessou logo pela Ficção Científica. As companhias especializadas em "seriais" não desperdiçaram as grandes fontes de cenas emocionantes que eram as aventuras de Buck Rogers, de Flash Gordon ou do Super Homem.

Mas antes do cinema americano tornar a Ficção Científica mundialmente famosa. O diretor austríaco Fritz Lang produziu na Alemanha, o que hoje é considerado um dos Clássicos do Cinema Mundial: "Metrópolis". Mas as duas correntes menores de Ficção Científica -a "Space Opera" e a profecia técnico-científica- alternaram-se nos anos 40 e 50 tornando-se responsáveis por muita colisão de mundos e por muitas invasões da Terra. Foi a época gloriosa de mutantes animalescos: louva-a-deus gigantes, toupeiras galácticas, formigas e tarântulas com elefantíase. Do céu chegavam discos voadores e robots encolerizados. Na terra pululavam os bicharocos radioativos. Esta onda, que ainda não acabou, foi responsável por muito subproduto. Podemos citar como exemplos os Clássicos Terror-Científico: "A Noiva do Monstro" e "Plano Nove do Espaço" de Ed Wood, considerado o pior filme de todos os tempos (hilariantes, imperdíveis!!)

A televisão também entrou cedo na Ficção Científica, principalmente pelos heróis dos cartoons e revistas. Em 1959, a CBS -decididamente dedicada a uma missão de pioneira- lançou a primeira história da The Twilight Zone, ("Além da Imaginação" no Brasil) imaginada por Rod Serling. A série, muito equilibrada, de boa qualidade literária e apurado nível técnico (infelizmente, era uma exceção), cedo se tornou um dos programas mais famosos da televisão mundial.

A Ficção Científica já tinha se firmado como ramo literário de excelente escritores e obras, mas o cinema e a televisão (com algumas exceções por exemplo temos "A Máquina do Tempo" de H. G. Wells e a "Viagem Fantástica" de Isaac Asimov nos anos 50 e 60) precisavam de alguns marcos de maiores proporções. Foi então que em 1964, Stanley Kubrick procurou o escritor Arthur C. Clarke para que os dois escrevessem um roteiro, como definiu Stanley, para "um bom filme de Ficção Científica". Foi assim que nasceu um dos maiores filmes da história do cinema: "2001-A Space Odyssey" baseado num conto de Clarke de 1948: "A Sentinela". O filme revolucionou a história do cinema, principalmente o ramo da Ficção Científica.

A partir daí, começaram aparecer ótimos filmes (década de 70) como o científico e paranóico "Enigma de Andrômeda" baseado no livro homônimo de Michael Crichton; o clássico "A Laranja Mecânica" do mesmo Stanley Kubrick, baseado no livro de Anthony Burghess; o inquietante "THX-1138" de George Lucas; o polêmico "Hangar 18" e o belíssimo "Contatos Imediatos de Terceiro Grau" de Steven Spielberg. O aparecimento das séries de Irving Wallace na década de 60 e 70 povoaram as televisões mundiais com histórias ingênuas e deliciosamente divertidas. Quem não de lembra do "Túnel do Tempo", "Terra de Gigantes", "Elo Perdido" e do Dr. Smith de "Perdidos no Espaço"??

Mas o maior fenômeno dessa época na televisão foi a série "Jornada nas Estrelas" que deu origem à uma série de longa metragens na década de 80 e 90 e conta até hoje com uma legião de fãs alucinados. Ainda no final da década de 70 apareceram também alguns filmes que marcaram a história do Cinema, como o Ficção-Terror "Alien, o 8º passageiro" de Ridley Scott (que teria outras continuações nas décadas seguintes), o gótico e ao mesmo tempo infantil "O Buraco Negro" e o primeiro filme da série "Guerra nas Estrelas" de George Lucas que geraram uma reviravolta no mercado do cinema mundial e nos chamados "efeito especiais", utilizando o pessoal da produção de 2001, até então esempregados. "Guerra nas Estrelas" também possui uma falange de fãs coléricos até hoje (principalmente com o recente relançamento da série em cópias remasterizadas e com novos efeitos especiais, fazendo parte das comemorações de 20 anos do filme e a anúncio dos outros três filmes que completarão os primeiros 2/3 da saga).

Os anos 80 começaram com um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos: "ET" de Steven Spielberg. Apesar de ser um tanto "piegas", é sem dúvida nenhuma, um ícone do cinema mundial (alguém ainda não viu o filme?). Os outros dois filmes da série "Guerra nas Estrelas" ("O Império Contra-ataca" e "O Retorno de Jedi"), os filmes de "Jornadas nas Estrelas" e os filmes da série "De volta para o Futuro" de Robert Zemecks (afilhado de Steven Spielberg) também ajudaram a bater recordes de bilheterias em todo o mundo. Mas não foi só de filmes puramente comerciais que a Ficção Científica marcou a década de 80; filmes clássicos como "2010 - O ano em que faremos contato" de Peter Hyams baseado na continuação de 2001; "Duna" de David Lynch (infelizmente o filme foi completamente "cortado", deixando-o um pouco confuso para que não conhece o livro de Frank Herbert); "O Segredo do Abismo" de James Cameron e Orson Scott Card e o célebre "Blade Runner" de Ridley Scott, baseado no livro de Phillip K. Dick dignificaram o gênero muito mais com suas histórias e teorias do que apenas suas cifras milionárias.

Nos últimos anos, temos notado um reaparecimento da Ficção Científica em seriados de TV, coisa que ficou um pouco distante durante os anos 80. Algumas séries novas apareceram como "Babylon 5" ou "Star Trek: Deep Space Nive"; mas foi a série "Arquivos-X" (The X-Files) que detonou uma febre entre os adolescentes e antigos fãs de séries de Ficção, alcançando uma popularidade comparável à antiga série "Jornadas nas Estrelas". Uma onda de relatos de "OVNIs" e "Intrigas Governamentais" varreram o Mundo usando o tema principal da série. A jargão: "Os alienígenas estão entre nós" (agora com uma variante": "a verdade está lá fora"), criado durante os tortuosos anos 40 e 50 voltou com força total com todo tipo de relato e denúncias vinda de todos os cantos do Mundo. "Você já foi a Varginha?"

Alguns filmes também marcaram o cinema já no começo dos anos 90. O Mega sucesso "Jurassic Park" de Steven Spielberg (ele de novo) baseado no livro de Michael Crichton bateu todos os recordes do verão americano. Mas alguns novos filmes de "Jornadas nas Estrelas" (agora com a "Nova Geração") e outros como o comercial "ID4" e "Godzilla" serão facilmente esquecidos. Mas outros filmes de maior teor literário e filosófico e artístico também apareceram, como é o caso do belíssimo "Contato" de Robert Zemeckis (baseado no livro homônimo de Carl Sagan); o inquietante "Os 12 macacos" de Terry Gillian, o ótimo Ficção-Terror "Enigma do Horizonte" e o preocupante e próximo "Gattaca".

É notório que hoje, a Ficção Científica fez parte da vida de qualquer pessoa que leu, ouviu ou assistiu alguma coisa durante esse século. Pode-se pensar que todo que poderia se inventado já se inventou, e que o assunto sobre science fiction estaria esgotado. Além de ser um pensamento extremamente obtuso, a Ficção Científica continuará a atrair correligionários ávidos de imaginação e a entusiasmar literatos, desempoeirados e talentosos que, usando da liberdade sem fronteira que ela concede, burilarão novas obras-primas em materiais desconhecidos que irão arrancar a alguma mina de Vega ou conseguirão salvar no cataclismo do Fim do Mundo.

A partir de seu cunho de mero entretenimento, a Ficção Científica oferece, portanto, também vastos tópicos de meditação sobre os benefícios e os perigos de um ilimitado progresso científico ( vide "3001- A Odisséia Final", de Arthur C. Clarke). O homem culto atual já não ignora e, se pode não chegar a ser seu admirador, ao menos respeita-a pelo que de inegavelmente útil ela tem trazido à humanidade, preparando-a psicológicamente para o melhor e o pior.

Mantenhamos, porém, sempre a esperança de que as desvantagens excessivas -e irremediáveis- resultantes do evoluir da Ciência nunca ultrapassem o domínio da simples Ficção. Até mesmo Albert Einstein, em um momento de pessimismo ao futuro da ciência, disse que "A nossa Tecnologia irá por superar a nossa humanidade". Mas não podemos nos renegar ao conhecimento e ao avanço ao "desconhecido", seja com a ciência ou nos recorrendo à "deuses de lacunas". Como disse em seu livro "Cosmos", Carl Sagan sentencia: "TEMOS SIDO SEMPRE VIAJANTES".

 

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