Literatura para Crianças e Jovens

Coelho Branco Alice
 

Branca de Neve e os Sete Anões,  Pinóquio e o Visconde de Sabugosa. D’artagnan e os Três Mosqueteiros... O elenco poderia continuar; afinal, estes são apenas alguns dos mais famosos personagens que, junto com as fadas, magos, piratas, aventureiros e animais encantados, povoam as histórias que constituem o mundo encantado da literatura infantil. Tão antiga quanto o homem, a literatura infantil tem sua raízes no fértil mundo da fantasia popular. Aí tiveram origem mitos, fábulas, aventuras e, às vezes, uma preciosa contribuição de algum artista genial. Fruto da imaginação dos mais variados povos, ela empolga as crianças do mundo inteiro.

O coelho branco, que aparece em Alice no País das Maravilha (desenho de John Tenniel).



As aventuras de Pinóquio é um livro que não está limitado a nenhuma época ou lugar. Narrados em 1881, por Carlo Lorenzini, que assinava com o pseudônimo de C. Collodi, as travessuras desse bonequinho de madeira divertem até hoje as crianças de todo o mundo. O desenho (de Attilio Mussino) mostra como o nariz de Pinóquio crescia quando ela contava uma mentira.


Dartagnan e os três mosqueteiros

Muitos romances de aventura, escrito originalmente para adultos, passaram ao âmbito da literatura infanto-juvenil.

Um exemplo disso é Os Três Mosqueteiros. Escrito em 1844, por Alexandre Dumas.

O romance narra as aventuras de quatro valentes espadachins franceses, vistos a partir da esquerda: os três mosqueteiros, Aramis, Athos e Porthos, e o aspirante D’Artagnan, da Gasconha (sudoeste da França). A ação transcorre no começo do século XVII e tem como pano de fundo as intrigas na corte do rei Luís XIII e a ascensão política do cardeal Richelieu.

Um mundo mágico
Os contos de fadas são histórias fantásticas, baseadas nas crenças e mitos populares. Eles compõem um mundo encantado, povoado por lindas fadas, duendes e gnomos, que com sua magia ajudam os bons, os valentes e os oprimidos.

Os mais antigos chegaram até nós, há séculos, do distante e misterioso Oriente. São as lindas histórias árabes de As Mil e Uma Noites. A mais famosa coletânea de contos de fadas do Ocidente é a do francês Charles Perrault. Em 1697, para alegrar as damas da corte, ele publicou as Histórias da Mamãe Gansa, que contêm alguns dos mais belos contos conhecidos, como A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Barba-Azul, O Gato de Botas, O Pequeno Polegar, Pele de Asno etc.

Um dos mais estranhos e divertidos personagens de Alice no País das Maravilhas é o Chapeleiro Maluco, que vemos ao lado num quadro do pintor Pop, o inglês Peter Blake.

 

Entre 1812 e 1814, dois filólogos nascidos na Alemanha, os irmãos Jakob eWilhelm Grimm, pesquisaram pacientemente as narrativas do folclore de seu país.


Dessa pesquisa surgiram alguns livros de contos, dos quais o mais notável é Marchen, que reúne duzentas fascinantes histórias, como Branca de Neve e os Sete Anões e João e Maria.


Em 1835, começaram a ser publicados os contos de Hans Christian Andersen (1805-1875), nos quais o sensível poeta dinamarquês retomou temas e lendas da sua terra, misturando-os  às suas experiências pessoais. A ele devemos algumas obras-primas como O Patinho feio, a Pequena Vendedora de Fósforos, O Soldadinho de Chumbo,  A Sereiazinha etc.


Mais ou menos da mesma época são os Contos de Fadas Russo, escritos por Alexander Nilolaevich Afanasiev. Ultimamente, ainda na Europa, vieram  `a luz os Contos de Fadas Italianos (1956), narrados por Italo Calvino. Tampouco devem ser esquecidos o Conto dos Contos, coletânea de cinqüenta histórias escritas em 1864 por Giambattista Basile (1575-1632) em dialeto napolitanos e traduzidas para o italiano pelo filósofo Benedetto Croce, em 1925.


Além dessas histórias destacam-se alguns livros notáveis, como Alice no País das Maravilhas (1865), de Lewis Carroll (pseudônimo de Charles LutWidge Dodgson). O Príncipe Feliz e outros contos (1888), de James Matthew Barrie, e as histórias da sueca Selma Lagerlof, que somadas a muitas e muitas outras fazem a alegria de crianças e jovens pelo mundo afora.

 

À direita, alguns momentos de João e Maria, o célebre conto de fadas dos Irmãos Grimm, numa ilustração de H.V .Vogel.

A Fábula do Chapeuzinho Vermelho inspirou muitos artistas famosos. A ilustração reproduzida acima é de Gustave Doré e mostra o momento em que o Lobo Mau ataca a vovó do Chapeuzinho vermelho.


Quando os animais falam


Assim como as fadas e os duendes, os animais são personagens constantes na literatura infantil. Na fábula, que é uma história curta e geralmente em versos, eles são retirados de seu mundo natural  e introduzidos no nosso, trasformando-se em símbolo e caricatura dos vícios e das virtudes humanas. Sua principal função nessas obras é cuidar, com muito humor, da moral vigente na sociedade.  Assim, a prepotência do “lobo mau” é castigada, a esperta raposa não se sai bem, o cordeiro “bonzinho” é premiado, e assim por diante.


O inventor da fábula foi Esopo, um escravo grego que viveu alguns séculos antes de Cristo. Espírito inventivo, suas fábulas foram passando de boca em boca, no curso dos séculos, sem perder a leveza. Elas inspiraram grandes escritores, como o francês La Fontaine (1621-1695), cujos animais parecem saídos da corte de Luís XIV com suas tiradas maliciosas e suas aventuras empolgantes. Todos conhecem, por exemplo, A Raposa e as Uvas, fábula cujo personagem – a raposa – despreza as uvas, sob pretexto de que estão verdes, só porque não pode alcançá-las.

À Esquerda, o Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, em um dos desenhos do autor, que acompanham a longa e poética história da viagem pelos planetas e pela Terra de um menino de cabelos de ouro. Obra de grande humanidade, dedicada às crianças.


O Pequeno Príncipe (1943) é porém fonte de inspiração também para os adultos. Afinal, não foi por acaso que o autor escreveu na abertura do livro: “Todos os grandes um dia foram crianças (mas poucos se lembram disso)”.

 

Abaixo, ilustração de Edmund Dulac para o conto A Roupa Nova do Imperador, escrito por Hans Christian Andersen.

Acima, Gulliver entre os liliputianos (num quadro de Arthur Rackham), aBaixo, Robinson Crusoé, como apareceu na primeira edição do romance de Daniel Defoe.

 

O Fascínio da aventura.


A Aventura é um ingrediente obrigatório nos romances juvenis. Povoados de cavaleiros andante, exploradores de mundos remotos, náufragos em ilhas desertas, super heróis espaciais, esses romances enfocam sempre personagens extraordinários vivendo situações igualmente extraordinárias. Repletos de lances rocambolescos ou de complicadas intrigas, eles cultivam virtudes como o amor pelo perigo, a fidelidade a uma causa, a coragem e um profundo sentido da amizade. Dessa forma, o jovem leitor é levado a admirar certas qualidades humanas consideradas importantes pelas sociedade. Alguns romances de aventura, porém, introduzem elementos críticos em relação a essa mesma sociedade.


É o caso, por exemplo, das Viagens de Gulliver, descritas pelo inglês Jonathan Swift, em 1726. O personagem central desse romance, o médico Lemuel Gulliver, vive aventuras fantásticas quando desembarca na ilha dos pequeninos liliputianos ou quando alcança a terra do giganes, onde é obrigado a tornar-se um bobo da corte para as damas e os grandes senhores. Leitura divertida e emocionante para crianças e jovens, na verdade esse livro foi escrito originalmente como uma violenta sátira da sociedade inglesa do século XVIII.


Já  o Barão de Munchhausen existiu de fato. Oficial alemão que viveu no século XVIII, ele ficou célebre por suas fanfarronadas, tornando-se um herói lendário a quem foram atribuídas mirabolantes aventuras, como ser arremessado à Lua montando numa bala de canhão etc.
Essas façanhas foram reunidas pelo escritos alemão Rudolph Erich Raspe e publicadas em 1785, com o título de As Aventuras do Barão de Munchhause.


Abaixo, Paisagem, tela do pintor norte americano Thoms Cole (1801-1848). Que ilustra uma cena do romance O último do moicanos, escrito em 1826 por James Fenimore Cooper.

O homem diante da natureza.


Robinson Crusoé, personagem da obra criada em 1719, pelo inglês Daniel Defoe, é um náufrago lançado pelas ondas a uma ilha perdida e desabitada, onde é obrigado a viver a aventura da evolução humana, do homem em competição com a natureza.


Em A Ilha do Tesouro, romance escrito por Robert Louis Stevenson, em 1883, o jovem Jim Hawkins sai à procura de um tesouro escondido numa ilha deserta, e enfrenta muitas dificuldades antes de concluir com êxito a tarefa.


Nos Livros da Selva (1894-1895), Rudyard Kipling mostra a transformação de um filhote de homem, abandonado ao nascer entre os animais da selva , em um ser capaz de enfrentar as duras leis da sobrevivência. São também de Kipling Capitães Corajosos (1897) e Kim (1901).


Emilio Salgari (1863-1911) ambienta igualmente muitos de seus 85 romances no mundo dos trópicos, animando-os com lendários persongens orientais, como Sandokan, Yanez, Tremal Naik e Kammamuri. Outros famosos romances de Salgari têm como tema os corsários do Caribe, na América Central.


James Fenimore Cooper mostra em trinta romances, dos quais o mais popular é O Último dos Moicanos (1826), o fascínio do Oeste norte-americano, convulsionado pelas lutas entre índios e pioneiros brancos. Colonos, faiscadores de ouro e a natureza selvagem da América do Norte são os componentes dos romances de Jack London, dos quais os mais conhecidos são O Chamado da Floresta (1903) e Caninos Brancos (1907).

 


Passado e futuro.


Igualmente excitantes, os romances “históricos” são ambientados num passado mais ou menos recente. Os mestres desse gênero são, certamente, o francês Alexandre Dumas (pai) criador de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo, entre outros, e o escocês Walter Scott, que tem como principal obra infanto-juvenil o romance Ivanhoe (1819). Nascido em 1828, o francês Júlio Verne leva os seus leitores a um novo gênero da aventura; a do progresso científico. Autor de uma vasta obra, seus romances antecipam conquistas da moderna tecnologia, como o submarino nuclear, a televisão e os foguetes espaciais. Dentre seus livros mais conhecidos, citam-se Da Terra à Lua (1864), Viagem ao Centro da Terra (1865) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1870).


Mas a aventura nem sempre tem necessidade de cenários misteriosos ou fantásticos, podendo desenvolver-se dentro de ambientes provincianos. É o caso das histórias do norte-americano Mark Twain, que criou As Aventruas de Tom Sawyer (1876), em que um garoto, com suas traquinagens, coloca em polvorosa uma tranqüila cidade de fronteira.

O Sítio do Pica-Pau Amarelo
No Brasil, o primeiro autor a escrever histórias para crianças foi Alberto Figueiredo que, por volta de 1894, publicou Contos da Carochinha. Mas o auge desse gênero literário só foi alcançado na década de 30 com a obra de Monteiro Lobato. Nascido em Taubaté, São Paulo, em abril de 1882, José Bento Monteiro Lobato foi o criador de um mundo mágico que tem fascinado gerações de crianças brasileiras.

Esse mundo fica numa fazenda do interior paulista e é conhecido como Sítio do Pica-Pau Amarelo. Nele moram Dona Benta e Nastácia; Pedrinho e Narizinho, netos de Dona Benta; a boneca Emília, um filósofo feito de espiga de milho, o Visconde de Sabugosa; o porco Marquês de Rabicó; e até um rinoceronte, que atende pelo doce nome de Quindim. Os personagens do Sítio têm um pozinho mágico, o pirlimpimpim, capaz de transportá-los no tempo e no espaço, levando-os ora para a antiga Grécia, onde vivem intermináveis aventuras ao lado do Semideus Hércules, ora para o planeta Saturno, cujos anéis servem de escorregador para Emília, Pedrinho e Narizinho.

 

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